Eleições Norte Americanas e a economia

Trump ou Biden: quais as previsões para a economia em cada cenário?

As eleições americanas ocorrem no dia 03 de novembro e as tensões entre os principais candidatos, Donald Trump (Republicano) e Joe Biden (Democrata), só aumentam. Depois de acompanhar com apreensão debates acalorados, com gritos, ofensas e acusações, os investidores brasileiros devem estar se perguntando: em cada um dos cenários, como fica a economia? Essa preocupação também é uma preocupação constante dos americanos, que passam por um momento complicado: mais de 200 mil mortes por coronavírus e 7 milhões de infectados; na economia, o mercado esboça certa reação, com a criação de pouco mais de 700 mil vagas, mas os índices de buscas por seguro-desemprego ainda permanecem bastante altos, com 870 mil inscrições em setembro, segundo a Forbes.

Primeiro cenário 

Embora não seja possível prever com exatidão o que acontecerá em cada cenário, o mercado já tem algumas pistas e já propõe alguns cenários. O primeiro deles, levando em consideração uma composição hipotética de Câmara dos Representantes dividida em uma maioria democrata em um lado (Câmara ou Senado) e uma maioria republicana no outro, com Biden eleito, as propostas mais arrojadas do candidato devem ser negociadas em plenário, o que traria menos espaço para uma polarização ou propostas mais radicais, à direita ou à esquerda.

Essa composição tende a escantear, também, as alas mais progressistas do Congresso, favorável à limitação do monopólio dos planos de saúde privados ou das empresas de tecnologia. Propostas mais extremas devem ser deixadas de lado, enquanto as mais moderadas e temperadas devem prosperar, na visão de analistas. Já em análises em relação à política internacional, a convivência de Biden com os parceiros comerciais deve ser diferente da do atual presidente. Reduzir a tensão comercial com alguns parceiros, como a China, resultaria em uma redução dos riscos geopolíticos e na volatilidade de mercados, o que traria efeitos positivos para mercados emergentes, como a América Latina. 

Segundo Cenário 

Em um cenário com Trump reeleito e com uma composição semelhante no Legislativo, do ponto de vista econômico, a relação com o mercado continuaria boa, já que o presidente sinalizou diversas vezes que não aumentaria impostos e manteria o sistema de saúde americano como está. Outras possibilidade seriam a adoção de um pacote interno de medidas econômicas para reavivar a economia do país, enquanto as tensões com a China seriam potencializadas.

Terceiro cenário

?Em um hipotético terceiro cenário, com Biden eleito com ampla vantagem e uma maioria Democrata no Senado (que os analistas consideram pouco provável), o mercado se comportaria de forma mais temerária, com particular preocupação nos setores de fármacos e na indústria de energias não-renováveis. Esse cenário é considerado menos favorável para os investimentos, já que o novo presidente teria menos possibilidades de barrar propostas de aumento de impostos, regulações antitrustes mais agressivas e controle de medicamentos.

Qualquer um dos cenários, no entanto, deixa os investidores atentos para o dia do pleito americano. Com a entrada cada vez mais forte da China como player global, o resultado das eleições americanas tende a ser um dos eventos mais importantes do ano em todo o mundo.